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Crônica 034 min de leitura

Um dilema quase ético

O teste do elevador

Uma pequena infração, dois elevadores e a satisfação de ter escolhido certo.

Ilustração de dois elevadores de hospital, uma mão diante dos botões e setas de cálculo ao redor.
Ilustração original para O teste do elevador

Estou aqui no subsolo do hospital, 21h. Ninguém em volta, ambiente silencioso, e me deparo com esse dilema ético.

Será que cruzo essa linha? Ninguém vai ver.

Confesso que fiquei tentado. Olhei com calma. Estava ali, disponível.

O mais fácil e rápido é pegar esse atalho. Não vai machucar ninguém. Vai facilitar minha vida.

Nesse momento, eu me questionei seriamente.

Acho que, azar, vou fazer o fácil.

Até porque ninguém verá. Não vai mudar nada. É o mais fácil frente à escolha matemática que terei que seguir.

Não consegui.

Fracassei.

Olhei com calma as duas opções:

Opção 1: elevador no 4º andar, parado.

Opção 2: elevador no 3º andar, subindo.

Pensei: minha matemática é rápida, sempre foi um diferencial.

Subindo no 3º, pode ir até o 6º. No 4º, parado, desce direto. É isso!?

Apertei o elevador 1.

Pronto. Vi que o outro elevador foi até o 7º andar, enquanto o meu já estava chegando.

Sucesso total.

Acertei na ética e na lógica.

Essas escolhas difíceis mexem comigo. Quebrar a regra e chamar todos os elevadores. Chamar para subir e descer quando eu quero subir.

Mas não quebro essa regra. Confesso que, por vezes, a flexibilizo quando a urgência é muito grande.

E não tem sensação mais satisfatória do que quando quem quebra a regra entra no elevador e diz:

— Vai subir?

— Ah, que pena. Vou descer.

Pois então agora vai demorar mais tempo, apressadinho.

E essa punição sempre acontece.

É como trocar para a fila mais rápida.

A famosa Lei de Murphy, como diria meu pai. Ou Lady Murphy, como a propaganda fez.

Saí tranquilo.

Passei no teste do elevador.

Que venham os próximos.

Acertei na ética e na lógica.

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