13h30min de uma quinta-feira
Boa vida
O que me interessa é a sensação de vida boa que aquele rapaz me passou.

Eu estava na rua, passando de carro, quando vi um rapaz de bermuda, camiseta, boné e chinelo, passeando com seu cachorrinho, brincando com ele e tomando uma cerveja.
Era 13h30min de uma quinta-feira.
Olhei para aquela cena e pensei: isso é vida boa.
Não é nem uma questão de mérito ou de valor em relação à bebida, ou à folga, ou ao cachorro. É aquela figura específica. O rapaz, no meio da tarde, passeando com o cachorro, brincando e tomando uma cerveja.
Talvez seja o elemento de passear com um cachorro no meio da tarde. Talvez seja essa liberdade de estar sem compromisso. Talvez seja o álcool em horário de expediente.
Também pode ser o outro lado: ele pode estar desempregado, triste, abandonado ou ser alcoólatra (exagero meu). Mas isso não me interessa agora.
O que me interessa é a sensação de vida boa que aquele rapaz me passou.
Imagino que todo mundo já tenha passado por isso. Olhado para alguém e pensado:
— Bah, olha que coisa boa.
Naquele momento, enquanto eu estava correndo por causa do trabalho, ele estava ali, bem tranquilo, passeando com seu cachorrinho e tomando uma cerveja.
A mesma coisa pode acontecer com ele. Ele pode olhar para mim, de terno, e pensar:
— Bah, olha o cara trabalhando. É um executivo.
Mal sabe ele o que eu faço.
Essas observações, essa coisa de avaliar as pessoas, analisar o que elas fazem, é uma coisa linda.
E aquela pessoa, naquele momento, era a figura da sensação de boa vida.
Uma vez vi uma propaganda com o Nadal que falava sobre isso... O olhar para a vida alheia.
Nesse caso, não é intromissão. É exercício da imaginação.
É olhar para a pessoa e criar, na sua mente, a história dela. Nesse caso, sentir até a vida boa. Não a inveja, e sim aquele leve balançar de cabeça do meme, dando um olhar de apoio e confirmação por esse momento.
Acho que a vida boa dele até fez o meu dia melhor. Compartilhei esse momento com ele.
Um brinde a ele.
A vida boa é nossa!
A vida boa é nossa!
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