O cálculo dos caixas
A fila ao lado
Um passeio rotineiro, um carrinho estrategicamente montado e a certeza de sempre escolher a fila errada.

Estou para dizer que é um dos lugares que mais frequento. Perdendo apenas para o trabalho e a minha casa, nessa ordem! Não vou falar o nome aqui, mas quem é de Porto Alegre imagina qual...
Está aí um lugar peculiar. Todo mundo frequenta, se encontra, vai sozinho, vai com a família. Estamos com ele em todas as fases da vida.
Lembro de ir na infância comprar uma Coca de dois litros com meus amigos. Se a gente estivesse muito bem, vinha uma Trakinas ou um chocolate. Morava do lado do mercado, então era bastante comum ir com a galera fazer essa compra essencial!
Depois começa a vida adulta e vamos fazer o rancho de morar sozinho pela primeira vez: pizza congelada, arroz, guisado e colocamos algo natural para evitar um julgamento dos carrinhos alheios.
E quem nunca olhou o carrinho vizinho e julgou?
Sexta-feira à noite sempre tem aquele comprando um vinho, uma comida diferente. Aí já viu o que vai rolar.
Ou aquele com o carrinho cheio de “porcarias”, ou o fit, cheio de ovos e frango.
Eu gosto do equilíbrio. Se vou comprar só chocolate e doces, já pego logo uma salada e coloco bem na frente. Tá louco.
Eu já tenho meu ritual, vaga própria. E que ruim quando alguém tá usando a minha vaga. Já estraga meu passeio.
Depois, começo no corredor de carnes, analisando as ofertas. Passo pelo corredor dos pães e frutas, depois pelo das bebidas e, no último mesmo, pelos doces — para ficarem menos tempo no carrinho.
Depois começa a análise dos caixas.
Ali tá vazio, mas tá longe, vão chegar antes. Não vai dar.
Opa, esse tem um carrinho só. Corre. Puts, é rancho do mês.
Tenta mais um.
Oooo, ali tem dois, mas com poucos itens. Olha pra cima: é o caixa de 10 itens. Conta. Tenho 14. Já era.
Volta no do rancho que a caixa é rápida. Pronto.
Agora cuida todos os outros pra ver se escolhi certo.
Nem sempre, quase nunca.
CPF na nota, estacionamento e amanhã voltamos.
Agora cuida todos os outros pra ver se escolhi certo. Nem sempre, quase nunca.
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